Malditos Assaltos
12/08/2009
Fui assaltado!
Dois caras, uma bicicleta e um terçado. Isso mesmo, terçado!
Levaram minha carteira e as chaves de casa…
Estavam irados. Eram feios. Estavam nervosos, mas com um puta terçado.
Ameacei não entregar. Ameaçaram minha canela.
Confesso que vacilei: já era mais de meia noite.
Adeus vida de vampiro.
Decidi finalmente.
Adeus Belém do Pará.
Não é que não dê. Não dá.
O Visionário
28/02/2009
Eu confesso com vergonha que não conhecia muito bem Jorge Mautner. Aliás, não conhecia quase nada. Só mesmo o seu rosto marcante e uma música que gravara com Caetano Veloso e que falava, em um trecho, de um coração feito balão sangrando sendo chutado no chão… (e que por incrível que pareça não soava brega). Se não me falha a imaginação fazia parte de uma trilha de novela talvez. Digo “se não me falha a imaginação” porque realmente não sei de onde tirei isso, é uma daquelas lembranças muito vagas que ficam mais para o lado da imaginação.
Eu sinceramente não tenho muito o que falar sobre Mautner, só que há uns 3 dias baixei um álbum INCRÍVEL que eu sinceramente gostaria de compartilhar no fim desta postagem. O que me impressionou, sem contar a qualidade musical, sem dúvida, foi o ano do álbum: 1972. Não que em 1972 não estivessem fazendo música boa, muito pelo contrário, o Brasil estava explodindo: Os Mutantes (com balada do louco); Tom Jobim (com águas de março); Chico Buarque e Francis Hime (com atrás da porta); Roberto Carlos então… este nem se fala… devia estar lançando um single a cada domingo. Só que nada comercialmente era parecido com o que Mautner estava fazendo, com certeza. Digo “com certeza”, não que eu estivesse vivo em 72 para contar a história, mas basta procurar pelos sucessos de 1972 pra tirar a dúvida. Então a impressão que se tem, ao ouvir o disco Para Iluminar a Cidade (belo título por sinal) é de que o senhor Henrique George Mautner (com então 31 anos) era mesmo um cara visionário. Seu disco foi gravado no queixo. Ao vivo no Teatro Opinião (RJ). As composições são muito originais, não são redondinhas, algumas tem 6 minutos, são uma mistura profunda de música popular com pegada tropicalista, folk nordestino cigano e até marchinha. Sem falar que a última faixa Rock da Barata é muito (mas muito) anterior ao Rock das Aranhas de Raulzito.
Minha curiosidade sobre Jorge Mautner começou no canto da cama – forçando um pouco a vista – e eu como há um tempo ando aficionado em música brasileira, não pude deixar de ir atrás dos seus discos. E recomendo-os com muita satisfação a todos que heróicamente por ventura passarem por aqui.
O livro era Alegria, Alegria (1973), uma caetanave organizada por Waly Salomão. É uma coletânea de reflexões, entrevistas e cartas de Caetano Veloso, a maioria compreende o período do exílio em Londres, onde ele não apenas acaba recontando sua trajetória artística, mas também descreve alguns momentos em que assistiu Jimmy Hendrix, Rollings Stones e confessa que foi o período em que realmente parou para conhecer melhor os discos dos Beatles. Mas vamos ao que interessa:
“… já é com um atraso de anos que se registra o trabalho de Mautner. Em 63 Néci me falou de Deus da Chuva e da Morte. Eu vivia lendo a revista Senhor: vi uma entrevista esquisita desse cara que olhava os homens do alto de um edifício em São Paulo e os via como formigas. Um dia vi o livro e, assustado com a grossura do volume, não li. Depois fiquei sabendo de kaos. Ele era um escritor estranho de quem se falava. Uma vez Rogério me disse que esse escritor Jorge Mautner cantava muito engraçado bonito com um bandolim e que aprendera o alemão antes do português. Soube que ele cantara na televisão uma canção que falava em Hiroshima & bomba atômica: algumas pessoas da música popular brasileira estavam indignadas com a escolha dos temas. Diziam: que temos nós brasileiros a ver com a bomba atômica?
Um dia Nara tocou no assunto comigo,em tom de pergunta. Eu não tive resposta porque não conhecia tais canções. Nara falava mais cheia de curiosidade do que de preconceito. Ela parecia estar realmente querendo saber como encarar um fato tão diferente dentro da música brasileira, enquanto para outros (inclusive para mim mesmo, que nem sequer me esforcei para conhecer as tais composições) a própria estranheza deste fato aconselhava a ignorá-lo. Depois veio-nos, veio-me, veio o tropicalismo, de vez em quando eu me lembrava desse nome Jorge Mautner e ficava curioso querendo saber. Ele tinha ido embora para os Estados Unidos. Os Mutantes, que me mostraram tanta coisa, contaram-me que Jorge era bacana tinha cada coisa louca, cantaram alguns trechos de canções escritas pelo Jorge. Não me lembro como eram esses pedaços de canções e creio que não me causaram nenhuma impressão definida. Um dia tive vontade de perguntar a Zé Agripino.
Acabou-se o tropicalismo. Em Londres, apareceu Jorge Mautner com um guarda-chuva. Gostei logo dele porque ele é uma figura incrível e também porque ele foi logo me fazendo umas profecias muito boas (e que felizmente deram certo). Ri muito, ele cantou O Vampiro e essa canção me impressionou de um modo como só Charles, Anjo 45 havia antes me impressionado. Fiquei fã de Jorge Mautner. Suas canções têm um cheiro de liberdade criadora que só encontrara em Jorge Ben, na Espanha ele ficava falando em Nietsche e nos filósofos pré-socráticos, falando em Apolo e Dionísius, lendo Sartre nas praias de Catalunha. Agente chamava ele de mestre. Mas principalmente ele cantava suas cantigas de chuva com o seu bandolim. Ele não tem nenhum medo do ridículo. Ele parece com tudo. Ele é completamente diferente de tudo que há na música brasileira, no showbizz brasileiro. Ele parece uma formiguinha com seu bandolim, um telefone. Ele sabe imitar porta, vagalume, liquidificador. Só escreve clichê, com a originalidade de um marciano. Eu fiquei realmente assustado ao saber que O Vampiro era anterior a Alegria, Alegria e Domingo no Parque“.
E lembrando agora de Gilberto Gil, como muitos, também já regravou Mautner… a música Maracatu Atômico… sim, Chico Science também. Então agora me falta é descobrir os seus livros. Jorge Mautner ganhou o Prêmio Jabuti de Revelação Literária em 1962 com o livro Deus da Chuva e da Morte.
Agora ouça o disco e me diga, não é realmente notável esse cidadão totalmente livre?!
Para Iluminar a Cidade (1972)
Desenferrujando (no compromiss)
25/02/2009

Não somos livres e, no entanto, nossas almas têm as janelas abertas. A ditaduta do capitalismo é também a ditadura da imagem? Isto está parecendo texto de universitário, mas por dois segundos pensemos na quantidade de vidas que já foram massacradas desde que o primeiro homem achou de entender que o outro era diferente… Apesar disso, continuo achando intrigante como somos capazes de até mesmo sair de órbita e entrar em partículas invisíveis, sem contudo conseguirmos mudar a forma de ver, viver e nos relacionar neste maravilhoso planeta azul.
Mudando um pouco a conversa, não tenho certeza se existe algum xampú Heunss, nem na Alemanha nem em São João do Piripirí. De qualquer forma… “Heunss – hard shampoo: Formas para todosempre” . Talvez seja uma tradução possível. A idéia veio surgindo sem compromisso enquanto eu ia brincando com a imagem, pra ir desenferrujando de uma vez por todas a paciência com essa profissão, porque agora a coisa anda pegando. Mas ainda bem que o texto me veio em inglês e não em russo. Porque eu ainda não tenho um teclado russo pros dias em que eu acordar realmente inspirado. No entanto hoje eu me perguntei porque “hard shampoo”? Será que alguém compraria um xampú para ficar com o cabelo duro? Seria isso?
Clique aqui antes de começar a filosofar sobre esta questão de extrema importância.
…
21/02/2009
Eu sinto que a vida é como tentar escrever um livro no meio de uma festa de aparelhagem…
Palmos e um Amargo
10/02/2009
Outro
Sete
Sei
Sinto
Quadro:
Terço
Dor
E um
Passado
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Max Martins (1926-2009+)
É-se
08/02/2009
Desvio da letra
Sabor do saber
Duplo sentido
Ésse de Ser
Lápide Lápis
04/02/2009
Muito
Pouco
Tudo
Rio
…
Muito
Ponto
Tudo
Nada


